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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Relatório de Avaliação Pedagógica–Equipe Multidisciplinar–Visão da Neurociências- passo a passo

Relatório de Avaliação Pedagógica – passo a passo
dat        O Relatório de Avaliação Pedagógica é solicitado à Equipe multidisciplinar (ao pedagogo ou psicopedagogo) de alunos encaminhados com queixas de dificuldades acentuadas de aprendizagem. Essa solicitação pode ser feita pelo professor, pela família ou por profissionais da saúde: psicólogo, fonoaudiólogo, pediatra, hebiatra ou neurologista.
A finalidade dessa solicitação é obter dados relevantes que possam levar à identificação da origem da dificuldade que o aluno está apresentando, situação momentânea que pode ser trabalhada pala própria equipe multidisciplinar da escola ou que poderá ser levada a uma investigação mais aprofundada se as causas estiverem ligadas a algum tipo de transtorno mental.
O aluno deve ser acolhido pela equipe multidisciplinar e após estabelecer vínculos afetivos há vários passos a serem seguidos para concluir um relatório: análise das queixas principais, atividades pedagógicas do aluno, observação feita pelo avaliador em sala de aula e outros ambientes da escola, anamnese com a mãe (preferencialmente) e várias entrevistas para avaliar todos os aspectos do desenvolvimento global do aluno, através de exercícios lúdicos e significativos. Há várias sugestões de matérias e como usá-los na avaliação, inclusive o teste da psicogenética da escrita, neste artigo.

sssssImagem:http://www.escolinhaeducar.com.br/wp-content/uploads/2011/04/educar_sala_aula
Agora tendo em mãos todas as conclusões dos diversos momentos avaliativos vamos dar uma sugestão da formatação deste relatório, que deve fornecer o maior número de informações de forma concisa.
VEJA NO BLOG: IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA  a conceituação e relevância dos aspectos oservados e avaliados nesta introdução do relatório pedagógico clicando > AQUI
Observação:
A avaliação do aluno que se encontra em pleno desenvolvimento global em que a sua evolução é diretamente dependente da plasticidade neuronal, que ocorre tanto no desenvolvimento normal quanto nos casos de lesão, na tentativa de restauração funcional, deve, portanto ser considerada como um momento de desenvolvimento neuropsicomotor capaz de sofrer alterações. Essa observação deve ser colocada no relatório e ser respeitada dentro do processo de investigação pedagógica, psicológica e neurológica, evitando, dessa forma, um resultado conclusivo errôneo.
Veja um modelo(fictício):
RELATÓRIO PEDAGÓGICO
(Cabeçalho)
1 – Identificação
Nome da Instituição, aluno (dados pessoais), professor, ano/série em curso, local e data).
2 – Recomendações gerais:
• Recomenda-se zelo em relação aos dados da vida do aluno, no sentido de evitar que os mesmos sejam divulgados a pessoas não envolvidas no processo ensino-aprendizagem, preservando dessa forma a individualidade do aluno;
• Solicita-se zelo em relação aos dados da avaliação que possam gerar dúvidas ou má interpretação. Sugerimos que neste caso, seja procurada imediatamente a equipe responsável pelo trabalho;
• As informações contidas neste relatório foram colhidas no período..._.
Convém ressaltar que as mesmas se referem a este momento da vida escolar do aluno e, portanto, estão sujeitas a mudanças contínuas, de acordo com o processo de desenvolvimento dinâmico e evolutivo do ser humano.
3 – Identificação da equipe:
(dados dos profissionais que compõem a equipe multidisciplinar)
4 – Motivo do Encaminhamento
(principal queixa e origem da solicitação: escola, família, profissionais da saúde).
5 – Síntese da investigação:
Após encaminhamento do aluno (avaliação pedagógica e comportamento em sala de aula e ambientes da escola) foi solicitado à professora um relatório do desempenho escolar do aluno.
A Equipe Especializada de Apoio à Aprendizagem observou o aluno em sala de aula e em outros ambientes da escola, análise de material da criança e entrevista com a mãe. O aluno após se sentir acolhido e familiarizado com o ambiente e com a Equipe participou de vários encontros lúdicos, significativos com fins avaliativos.
O aluno de conformação física forte evidencia estar bem fisicamente, estatura normal para sua idade, apresentou-se com os cabelos bem cortados à moda atual dos garotos da sua idade, uniforme limpo demonstrando cultivar bons hábitos e cuidados com a higiene.
Foram observados na sala de aula, nos ambientes da escola e na Sala da Equipe de Apoio à Aprendizagem a sua interação social e conhecimentos adquiridos de acordo com sua idade e ano em curso (série): a atenção, orientação, memória, inteligência, afetividade, pensamento lógico, senso crítico, verbalização, psicomotricidade, comportamento e linguagem escrita, leitura interpretação e oralidade.
O aluno  com 9 (nove) anos de idade, cursando o 4º ano (séries iniciais), sem nenhuma repetência após se sentir acolhido e estimulado pela Equipe de Apoio Pedagógico, apresentou-se nos diversos momentos da avaliação com tranquilidade, humor estável, comunicativo e uma postura sugerindo afetivo triste. Interagiu bem, com naturalidade, através do contato de olhos inconstante sugerindo, em alguns momentos de seus relatos da vida diária, um pouco de tensão e ansiedade.
       Durante a entrevista “L” manteve uma atividade motora com poucos movimentos físicos, pouca gesticulação, expressão facial triste, pouca alteração na expressividade, a mesma entonação de voz: baixa de vez em quando uma leve gagueira, com relatos longos e detalhados, usando constantemente a expressão “às vezes”. A atitude do aluno ante a pedagoga/avaliadora foi amigável, cooperativa.
       O aluno com 9 (nove) anos de idade, cursando o 4º ano, sem nenhuma repetência após se sentir acolhido e estimulado pela Equipe de Apoio Pedagógico, apresentou-se nos diversos momentos da avaliação com tranquilidade, humor estável, comunicativo e uma postura sugerindo afetivo triste. Interagiu bem, com naturalidade, através do contato de olhos inconstante sugerindo, em alguns momentos de seus relatos da vida diária, um pouco de tensão e ansiedade.
        Durante a entrevista “L” manteve uma atividade motora com poucos movimentos físicos, pouca gesticulação, expressão facial triste, pouca alteração na expressividade, a mesma entonação de voz: baixa, de vez em quando uma leve gagueira, com relatos longos e detalhados, usando constantemente a expressão “às vezes”.
         O aluno despertou durante a entrevista uma sensação de inacessibilidade à realidade de seus posicionamentos e sentimentos em relação á família, evidenciando sentir-se "estigmatizado”, pela mesma, associando esta evidência ao relato da mãe. Em relação à escola assinalou ser uma atividade prazerosa.

*Estes primeiros parágrafos da Síntese da Investigação-configuram uma introdução muito importante, pois são mencionados os aspectos gerais do aluno: físico, emocional, mental e motor - dentro de uma situação de conforto que foi lhe foi favorecida. Estes aspectos são os primeiros indicativos que darão consistência à anamnese, entrevista com a mãe (importantíssima) e nortearão os caminhos da interpretação das avaliações dos fatores ligados às queixas apresentadas. São aspectos importantes ao avaliador pedagógico quanto ao psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista, enfim ao profissional da saúde que dará continuidade ao processo investigativo, ou simplesmente ao professor caso as causas sejam evidenciadas, nesta avaliação, e dirimidas através de ações do professor, da família e do acompanhamento da Equipe.
Veja na próxima postagem: itens que devem constar na anamnese (próximas informações que se seguem á introdução do relatório pedagógico)
Por Júlia Virginia de Moura – Pedagoga
Fonte de Pesquisa
Transtornos da Aprendizagem – Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar
Rotta, Newra Tellechea; Ohlweiller,Lygia; Riesgo, Rudimar dos Santos Artmed Editora S/A- 2007

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